
Uma obra-prima delicada e profundamente humana sobre os mistérios da infância e a formação da identidade.
Em "Línguas", Domenico Starnone nos transporta para a mente de um menino de oito anos, um observador aguçado e poeta secreto, que se vê profundamente tocado por uma garota que reside no edifício em frente ao seu. Inspirado pela mítica jornada de Orfeu, o jovem protagonista fantasia em resgatá-la de uma "fossa dos mortos" imaginária, um anseio que revela sua melancolia intrínseca e uma busca precoce por conexão em um mundo que começa a desvendar.
Da janela de seu quarto, ele acompanha a vida da menina, notando a alegria e a delicadeza de sua família, cuja comunicação soa "como nos livros ou no rádio", um contraste marcante com o dialeto falado em sua própria casa. Essa diferença linguística e social não é apenas uma observação infantil, mas um espelho para suas próprias inseguranças e anseios, moldando sua percepção do mundo e de sua própria identidade em formação.
Starnone tece uma narrativa sensível e introspectiva sobre a infância, o despertar da consciência e a complexidade das relações humanas. É uma jornada poética sobre as primeiras paixões, as barreiras invisíveis da linguagem e da classe social, e a dolorosa, mas enriquecedora, descoberta de si mesmo em meio às diversas "línguas" que nos cercam e nos definem. Uma obra que ressoa com a universalidade da experiência de crescer e encontrar seu lugar no mundo.
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