
Jerusalém é um grande livro, que pertence à grande literatura ocidental. Gonçalo M. Tavares não tem o direito de escrever tão bem apenas aos 35 anos. Dá vontade de lhe bater! — José Saramago
Em "Jerusalém", Gonçalo M. Tavares tece uma intrincada tapeçaria de vidas à beira do abismo, explorando os recantos mais sombrios da psique humana. A narrativa acompanha o médico Theodor Busbeck, obcecado em quantificar o horror na história, e sua ex-mulher Mylia, internada em um hospício após ser atormentada por uma dor misteriosa e a capacidade de ver almas.
Ao redor deles, um elenco de personagens perturbados se desenrola: Gomperz, o diretor do hospício com uma amizade ambígua com Theodor; Kaas, com suas fragilidades físicas; e a prostituta Hanna, que vive com o ex-combatente Hinnerk, uma figura que aterroriza as crianças. Cada um, à sua maneira, confronta os limites da sanidade e a natureza da agressividade, do desejo e da repulsa.
Tavares constrói um universo onde a crueldade e a fragilidade coexistem, e a busca por sentido se choca com a inevitabilidade do sofrimento. As vidas desses indivíduos se entrelaçam em uma trama densa e perturbadora, culminando em um desfecho que desafia as expectativas e mergulha o leitor nas profundezas da condição humana, onde o perigo é tão real quanto invisível. Uma obra-prima da literatura contemporânea que questiona a própria essência da existência.
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