
Uma imersão visceral na psique humana, que prende o leitor do início ao fim. - Crítica Literária
Em 'Inquieta', Susana Amaro Velho nos mergulha na mente perturbada de Julieta, uma mulher à beira do colapso. Desde as primeiras páginas, somos confrontados com a imagem desoladora de Julieta, caminhando descalça e ferida por quilômetros, com as solas dos pés em carne viva e as mãos sujas de terra, um rastro de sangue entre as pernas. A cada passo, a dor física parece ser um alívio bem-vindo diante da angústia avassaladora que a consome.
A narrativa nos arrasta para o turbilhão de seus pensamentos, onde a culpa e o desespero se misturam. Julieta se vê como uma "mentirosa desgraçada" e "mal-agradecida", uma "pior das esposas e de todos os seres humanos". Ela está decidida a seguir em frente, mesmo com a sensação apavorante de que tudo é errado, mas necessário. O leitor é convidado a desvendar os mistérios por trás de sua fuga e da "sepultura que cavara", enquanto ela balbucia palavras sem nexo, em busca de redenção ou, talvez, de uma prisão que a liberte de sua própria mente.
Com uma prosa intensa e visceral, a autora constrói um retrato psicológico profundo de uma mulher em crise, explorando os limites da sanidade e as consequências de escolhas desesperadas. 'Inquieta' é uma jornada emocional crua e inesquecível, que questiona a natureza da verdade, do engano e da própria existência humana, ecoando a epígrafe de Teixeira de Pascoaes sobre a realidade construída na mentira da alma.
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