
Uma sátira social atemporal, que usa o fantástico para revelar as verdades mais cruas da alma brasileira. - Folha de S.Paulo
Em 1963, na fictícia cidade gaúcha de Antares, um evento insólito e perturbador abala a rotina local: uma greve de coveiros impede o sepultamento de sete cidadãos recém-falecidos. Em um ato de rebeldia pós-morte, os defuntos decidem se levantar de seus caixões e perambular pela cidade, exigindo um enterro digno. Este "incidente" se torna o catalisador para uma profunda e mordaz análise da sociedade brasileira.
Erico Verissimo, com sua maestria narrativa, utiliza o fantástico para desvelar as hipocrisias, os segredos e as complexas relações humanas que permeiam a pequena Antares. Cada um dos mortos-vivos, antes figuras proeminentes ou marginalizadas, tem sua história revelada, expondo a corrupção política, a repressão social, os amores proibidos e as ambições mesquinhas que moldam a vida na cidade.
A obra é um espelho contundente da realidade, onde o humor negro e a sátira afiada servem como ferramentas para criticar as estruturas de poder e a moralidade questionável de seus habitantes. "Incidente em Antares" transcende o realismo mágico para se firmar como um clássico da literatura brasileira, um convite à reflexão sobre a vida, a morte e o que realmente significa ser humano em uma sociedade repleta de contradições.
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