
Uma sátira mordaz e atemporal que expõe as entranhas da sociedade brasileira com genialidade e humor. - Folha de S.Paulo
Em dezembro de 1963, na pacata cidade de Antares, uma greve geral paralisa todos os serviços, inclusive os do cemitério. Sete defuntos, entre eles a matriarca Quitéria Campolargo, acordam em suas tumbas e se veem insepultos, impedidos de descansar em paz. Revoltados com a situação, esses mortos-vivos decidem reivindicar seu direito ao enterro, ameaçando assombrar a cidade caso não sejam atendidos.
À medida que os cadáveres, já em avançado estado de putrefação, perambulam pelas ruas e casas de Antares, eles se deparam com a hipocrisia, a corrupção e as mazelas morais que permeiam a sociedade local. O mau cheiro que emana de seus corpos torna-se um espelho grotesco da podridão ética e política que assola a pequena comunidade, revelando segredos e desmascarando figuras proeminentes.
Publicado em 1971, em plena ditadura militar brasileira, "Incidente em Antares" é uma sátira política contundente e hilariante de Érico Veríssimo. A obra aborda com coragem temas como tortura, mandonismo e a fragilidade das instituições, utilizando o fantástico como ferramenta para expor as feridas de uma nação. Uma reflexão atemporal sobre poder, justiça e a natureza humana.
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