
Uma meditação poética sobre a vida, a perda e a persistência da alma humana, com uma sensibilidade ímpar.
Em "Humanos Exemplares", Juliana Leite nos convida a mergulhar na rotina aparentemente simples de uma mulher idosa, cujos dias são marcados por pequenos rituais e profundas reflexões. Ao acordar, ela se percebe como alguém que, contra todas as probabilidades, "permaneceu", observando o mundo através de um filtro de memória e resiliência. A manteiga fora da geladeira, o pão não tão fresco, a xícara florida – cada detalhe ganha um significado especial em sua jornada diária.
No entanto, por trás da serenidade de seus gestos, reside uma consciência aguda da fragilidade da existência. O jornal matinal, com suas notícias de "apagamentos" e desaparecimentos, serve como um lembrete constante da impermanência da vida. A protagonista, com sua sabedoria acumulada, questiona a sorte, o acaso e a inevitabilidade do fim, percebendo que, mesmo os vivos, "desaparecem pouco a pouco", unindo-se aos que já se foram.
Esta obra é um convite à introspecção, explorando a beleza e a melancolia do envelhecer, a persistência da vida em face da perda e a busca por sentido no cotidiano. Juliana Leite tece uma narrativa delicada e poderosa sobre a condição humana, a memória e a forma como nos relacionamos com o tempo que nos resta, transformando o ordinário em um espelho para as grandes questões da existência.
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