
Uma análise literária de rara sensibilidade, que ilumina os paradoxos da criação e da existência. - O Estado de S. Paulo
“Histórias de Literatura e Cegueira” é uma profunda e sensível exploração da relação intrínseca entre a perda da visão e o processo criativo de alguns dos maiores nomes da literatura mundial. Julián Fuks, com a perspicácia de um arqueólogo literário, mergulha nas vidas e obras de Jorge Luis Borges, João Cabral de Melo Neto e James Joyce, revelando como a cegueira, precoce ou tardia, moldou suas percepções, estilos e a própria essência de suas criações.
Fuks não se limita a uma biografia, mas sim a um comentário perspicaz sobre os paradoxos e as ironias do destino que uniram esses mestres. Ele desvenda como Borges, o bibliotecário, encontrou a noite e os livros simultaneamente; como João Cabral, que queria "dar a ver", acabou por não ver; e como Joyce, confrontado com a impossibilidade de ler, reinventou a linguagem.
A obra é um convite à reflexão sobre a memória, a imaginação e a capacidade humana de transcender as limitações físicas. É um estudo fascinante sobre a resiliência do espírito criativo e a maneira pela qual a ausência de um sentido pode, paradoxalmente, aguçar outros, abrindo novas dimensões para a arte e a compreensão do mundo.
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