
por Júlio Cortázar
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Uma obra 'desconcertante', carregada de humor melancólico e poesia curiosa. - Encyclopédie Universalis
“Histórias de Cronópios e de Famas” é uma obra singular e “desconcertante” de Júlio Cortázar, escrita entre 1952 e 1959 e publicada em 1962. Longe de uma narrativa convencional, este livro é uma coleção de notas, fantasias e improvisações que oferecem uma caricatura da vida em Buenos Aires e, por extensão, da condição humana. Cortázar explora o cotidiano com um humor que varia entre o melancólico, o irônico e o violento, permeado por uma poesia curiosa e um estilo rico em imagens intensas e achados verbais e psicológicos.
No coração desta obra estão os Cronópios e as Famas, seres fantásticos que personificam diferentes aspectos da existência. Os Cronópios são criaturas poéticas, espontâneas e desapegadas, que vivem imersas na arte e na emoção, muitas vezes alheias às trivialidades do mundo prático. Eles cantam, esquecem o tempo e perdem seus pertences, movidos por uma alegria e uma melancolia intrínsecas.
Em contraste, as Famas são seres pragmáticos, calculistas e apegados à ordem e à segurança. Elas planejam cada detalhe, embalsamam suas recordações e se preocupam com a vida prática, vendo o mundo através de uma lente de conveniência e controle. A interação e o contraste entre esses dois grupos, juntamente com as Esperanças (outros personagens menores), revelam uma profunda reflexão sobre a individualidade, a sociedade e os diferentes modos de encarar a vida.
Cortázar convida o leitor a desvendar por si mesmo a essência dessas criaturas, prometendo um prazer que se renova a cada página. Uma obra que desafia as convenções literárias e celebra a imaginação, “Histórias de Cronópios e de Famas” é um convite à reflexão sobre o que significa ser humano, com todas as suas contradições e belezas.
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