
Uma meditação perturbadora sobre a ética da ciência e as cicatrizes que o progresso deixa na humanidade.
Em "Flores", Mario Bellatin nos imerge em um universo onde a ciência, em sua busca por avanços, colide com as mais profundas questões éticas e humanas. A narrativa se desenrola a partir da descoberta do cientista Olaf Zumfelde sobre um medicamento que causou deformidades em centenas de recém-nascidos, desencadeando um julgamento internacional que abalou a confiança na ciência.
Acompanhamos as complexas ramificações dessa tragédia, desde a luta por indenizações até a presença inquietante de "seres mutantes" que também buscam reparação. Através dos olhos de um escritor que perdeu uma perna – uma vítima indireta ou direta desse avanço desastroso – somos levados a refletir sobre os mecanismos que a ciência utiliza para "apagar" seus erros e as consequências duradouras de suas falhas.
Bellatin constrói uma atmosfera densa e contemplativa, questionando a moralidade do progresso científico e o impacto indelével na vida daqueles que são afetados. Uma obra que floresce em meio à adversidade, convidando o leitor a confrontar a fragilidade da existência e a responsabilidade por trás de cada descoberta.
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