
por Jorge Amado
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Uma sátira política mordaz e atemporal, que ilumina as entranhas do poder com a genialidade de Jorge Amado. - Folha de S.Paulo
No turbulento ano de 1940, enquanto a Segunda Guerra Mundial assola a Europa e o Estado Novo de Getúlio Vargas flerta perigosamente com o nazifascismo, a morte inesperada do poeta Antônio Bruno abre uma cobiçada vaga na Academia Brasileira de Letras. Imediatamente, o coronel Sampaio Pereira, figura central da repressão política e notório simpatizante nazista, lança sua candidatura, gerando alarme entre os acadêmicos. Para impedir que um inimigo da cultura ocupe a cadeira do boêmio e irreverente Bruno, um grupo de veteranos articula uma anticandidatura: a do general reformado Waldomiro Moreira, um militar de oposição.
O que se segue é uma memorável e imprevisível campanha eleitoral dentro dos salões da Academia, um microcosmo que reflete as tensões e absurdos da política nacional. Jorge Amado, em um de seus romances de maturidade, habilmente mescla personagens fictícios com figuras históricas, recriando com maestria o ambiente político e cultural do Estado Novo. Escrito em 1979, em um momento de declínio de outra ditadura, a obra ressoa com a experiência do próprio autor na Academia.
Com sua prosa envolvente e um olhar aguçado, Amado constrói uma fábula irônica e contundente sobre o poder, a cultura e a resistência. "Farda, Fardão, Camisola de Dormir" é uma sátira social que, de forma divertida e perspicaz, revela como os pequenos dramas pessoais e institucionais podem espelhar os grandes acontecimentos da História, acendendo a esperança em tempos sombrios. Uma leitura essencial para compreender as nuances da sociedade brasileira e a eterna luta pela liberdade de pensamento.
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