
Um manifesto corajoso e essencial para a compreensão do modernismo português. - Crítica de Arte, Jornal do Comércio (1916)
“Exposição Amadeo de Souza Cardoso - Liga Naval de Lisboa” é um manifesto vibrante e provocador escrito por José de Almada Negreiros em 1916. Longe de ser um mero catálogo de exposição, esta obra é um grito de guerra contra o conservadorismo artístico e a letargia cultural de Portugal no início do século XX. Almada Negreiros, com sua prosa afiada e irônica, defende a genialidade de Amadeo de Souza-Cardoso, um dos maiores expoentes do modernismo português, cuja arte ousada desafiava as convenções da época.
O autor não poupa críticas à "fúria de incompetência" e à "indiferença espartilhada" da sociedade portuguesa, que, segundo ele, permanecia alheia às transformações artísticas e intelectuais que varriam a Europa. Ele argumenta que a exposição de Amadeo não é apenas uma mostra de quadros, mas um "documento conciso da Raça Portuguesa no Século XX", um chamado para que Portugal "nasça para o século em que vive a Terra" e abrace a modernidade.
Este texto é uma peça fundamental para compreender o efervescente cenário cultural português da Geração de Orpheu, revelando as tensões entre a tradição e a vanguarda. É um convite à reflexão sobre o papel da arte na construção da identidade nacional e sobre a coragem de poucos em desafiar o status quo em nome da inovação e do progresso cultural.
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