
"Sua visão do mundo é dela só, mais desesperada e aflita do que jamais foi posto em livro, numa personificação assustadora do isolamento definitivo do ser humano." - Millôr Fernandes
“Eu sozinha”, a obra inaugural de Marina Colasanti, é uma profunda e corajosa exploração da solidão, um sentimento que a acompanha desde seu nascimento na África até a vida adulta em Ipanema. Longe de ser uma autobiografia convencional, o livro não se propõe a narrar uma vida, mas a desvendar a essência e a construção da solidão na experiência de uma mulher jovem.
Com uma estrutura narrativa inovadora, a autora entrelaça dois planos: capítulos pares que refletem sobre o presente e capítulos ímpares que traçam uma jornada autobiográfica e cronológica, começando na infância africana e culminando na transição para o universo da escrita. Essa arquitetura complexa, inicialmente incompreendida pela crítica, serve para ilustrar como a solidão se manifesta e se desenvolve, independentemente de estarmos acompanhados ou não.
Colasanti convida o leitor a uma introspecção sobre a condição humana, utilizando a solidão não como um fardo, mas como um prisma através do qual se pode observar a formação da identidade e a busca por significado. É uma meditação lírica e perspicaz sobre o isolamento inerente ao ser, revelando a audácia de uma escritora que, aos 26 anos, ousou confrontar e expressar um dos sentimentos mais universais e, paradoxalmente, mais íntimos.
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