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Uma obra-prima da memória e da paixão, onde Lobo Antunes demonstra a sua genialidade em desvendar as profundezas da alma humana. – Jornal de Letras
Em "Eu Hei-de Amar uma Pedra", António Lobo Antunes nos convida a uma profunda e comovente jornada pela memória e pelo tempo. A narrativa desdobra-se através das recordações de um homem que, ao folhear antigas fotografias de família, revisita sua infância e os marcos de uma vida. Desde o primo que partiu para os Estados Unidos até o fotógrafo que o ajustava no colo da mãe, cada imagem evoca um passado que se entrelaça com o presente, revelando a complexidade das escolhas e dos caminhos trilhados.
Contudo, por trás das lembranças inocentes, emergem ecos de um amor impossível, interrompido abruptamente na juventude. Décadas mais tarde, o destino conspira para um reencontro casual em uma rua de Lisboa. Ele, agora na casa dos 50, casado e pai de duas filhas, jamais esqueceu aquela mulher. Esse reencontro reacende uma paixão clandestina, vivida em segredo numa pensão de reputação duvidosa, desafiando as convenções e as marcas do tempo.
Lobo Antunes tece uma trama radical e inovadora, onde passado e presente se fundem de maneira fluida e poética. A vida do protagonista é espelhada e complementada pelas vozes de outros personagens, como suas filhas, que orbitam em torno de sua existência. Uma obra que explora a persistência da memória, a natureza do desejo e as intrincadas camadas da alma humana, convidando o leitor a uma reflexão sobre o que realmente permanece.
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