
Uma análise lúcida e essencial sobre um dos pilares da filosofia antiga, revelando a audácia e a profundidade do pensamento epicurista. - Revista de Filosofia Clássica
“Epicuro: e as bases do epicurismo” mergulha na vida e no pensamento de um dos mais influentes filósofos da Antiguidade, Epicuro, em um período de profunda crise em Atenas. Miguel Spinelli nos transporta para o século IV a.C., quando a cidade, sob o domínio macedônico, enfrentava não apenas a miséria material, mas também uma crise de identidade e liberdade intelectual. Nesse cenário de desassossego, Epicuro emerge como um restaurador do espírito filosófico ateniense, buscando resgatar a capacidade de pensar de forma autônoma.
O livro explora como Epicuro, vindo de Samos, estabeleceu seu famoso "Jardim" em Atenas, um espaço revolucionário de convívio e aprendizado. Diferente das escolas filosóficas tradicionais, o Jardim era um refúgio aberto a todos – ricos e pobres, cidadãos e estrangeiros, homens e mulheres, incluindo figuras marginalizadas como cortesãs e prostitutas – que conviviam em plena isonomia de direitos. Essa abordagem inclusiva, embora chocante para a sociedade da época, era central para a filosofia epicurista, que pregava a busca pela ataraxia (tranquilidade da alma) e a aponia (ausência de dor) através da razão e da amizade.
Spinelli detalha as bases do epicurismo, contrastando-o com outras correntes filosóficas da época, como o estoicismo, e revisitando as influências de Sócrates e Platão. A obra não apenas apresenta os preceitos de Epicuro, mas também contextualiza sua relevância em um mundo em transformação, onde a liberdade de pensamento era um bem precioso e ameaçado. É um convite à reflexão sobre a filosofia como um modo de vida e a busca pela felicidade em meio às adversidades.
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