
Uma das mais inteligentes e fortes histórias sobre a ditadura argentina. - Marcelo Barbão (Apresentação)
Em "Duas Vezes Junho", Martín Kohan nos transporta para a Argentina de 1978 e 1982, um período marcado pela brutalidade da ditadura militar. A narrativa, ambientada entre duas Copas do Mundo, utiliza o futebol como um pano de fundo irônico para desvendar os dilemas morais e a desumanização provocada por um regime que silenciou trinta mil vozes e mergulhou o país em uma escuridão sem precedentes.
Através da perspectiva de um jovem recruta, o leitor é confrontado com a crueza da violência institucionalizada e as complexas questões éticas que permeiam a sociedade. Kohan constrói uma metáfora poderosa e amarga, que entrelaça o contexto histórico da ditadura e da Guerra das Malvinas com uma profunda exploração da psique humana sob opressão. A obra questiona mitos nacionais e expõe as feridas abertas de uma nação em busca de memória e justiça.
Com um estilo que equilibra experimentação formal, engajamento político, um humor sutil e a melancolia característica da região do Rio da Prata, "Duas Vezes Junho" é um testemunho literário impactante. É uma das mais inteligentes e fortes histórias sobre a ditadura argentina, convidando à reflexão sobre a história, a moralidade e a resiliência humana diante da adversidade.
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