
Uma fábula moderna sobre a fome da alma e o poder transformador da palavra. Brilhante e profundamente humano. - Jornal de Letras
“Dieta da Poesia” de Afonso Cruz apresenta a inusitada e comovente jornada de António de Lousada, conhecido como Bazulaque, um homem cuja vida é dominada por uma gula insaciável. Sua obesidade mórbida o impede de viver plenamente, e sua única interação com livros é usá-los como degraus para alcançar mais doces. Essa rotina, que beira o cômico e o trágico, é abruptamente interrompida por um acidente que o força a uma imobilidade inesperada.
No chão, cercado por livros, Bazulaque encontra um volume de poesia de Emily Dickinson. O que começa como um mero passatempo para aliviar o tédio transforma-se em uma revelação profunda. A poesia, antes ignorada, passa a nutrir sua alma de uma forma que a comida jamais conseguiu, desencadeando uma metamorfose interior que transcende o físico.
Afonso Cruz tece uma narrativa rica em humor e sensibilidade, explorando a relação entre o corpo e o espírito, a fome material e a sede de conhecimento. Através da “Dieta da Poesia”, o autor convida o leitor a refletir sobre o que realmente nos alimenta e nos transforma, mostrando que a verdadeira saciedade pode ser encontrada nas palavras e na beleza da arte. Uma obra que celebra o poder redentor da literatura e a capacidade humana de reinvenção.
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