
Uma narrativa pungente e lindamente construída sobre luto, memória e os laços inquebráveis da família. Um livro que ressoa muito depois da última página. - Jornal de Letras
Em "Descansos", Susana Amaro Velho tece uma narrativa profunda e comovente que explora as complexas relações familiares e os segredos guardados por uma pequena comunidade portuguesa. A história, que se desenrola entre o passado e o presente – com datas cruciais em Junho de 1991 e Junho de 2017 –, mergulha nas vidas de personagens marcadas pela perda, pelo luto e pela busca incessante por um sentido de paz.
No epicentro da trama, encontramos a família Alarcão e a família de Luz, uma viúva amargurada pela morte precoce do marido. A tragédia da pequena Juca, que perdeu a vida num poço aos sete anos, e as cicatrizes visíveis e invisíveis de outros habitantes, como Marília, a filha queimada de Isaurinha, constroem um cenário de melancolia e resiliência. As epígrafes de Virginia Woolf e Joan Didion ressoam ao longo da obra, convidando à reflexão sobre a necessidade de confrontar e, eventualmente, "libertar os mortos" para que a vida possa seguir o seu curso.
Com um elenco de personagens ricamente desenvolvidas – desde a pasteleira Laura, que vive em Salamanca, à grávida Miranda, ao enigmático Tito Maluco, e ao peculiar Zé dos Caixões –, a autora pinta um retrato íntimo e tocante de vidas interligadas. "Descansos" é uma exploração sensível da condição humana, da memória que persiste e da esperança que, por vezes, surge nos lugares mais inesperados, oferecendo um olhar cativante sobre como lidamos com a dor e a passagem do tempo.
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