
Um retrato sensível e atemporal da juventude e da sociedade brasileira dos anos 30. - Folha de S.Paulo
Clarissa, uma jovem do interior, chega à efervescente Porto Alegre dos anos 1930 para estudar, encontrando morada na pensão de tia Eufrasina. Com um olhar alegre e otimista voltado para o futuro, ela se depara com um microcosmo humano que espelha as complexidades de uma sociedade em transformação. Na pensão, Clarissa contrasta com Amaro, um músico frustrado que vive preso a um passado idealizado, enquanto o presente insiste em desmentir seus sonhos.
Através dos olhos curiosos e perspicazes da protagonista, Erico Verissimo tece um retrato vívido não apenas da rotina de uma pensão pequeno-burguesa, mas também da atmosfera política e social do Brasil e do mundo na década de 30, um período marcado por deslumbramentos e iniquidades. A obra, embora não seja um "romance de formação" em seu sentido mais estrito, acompanha o amadurecimento de Clarissa, que se vê confrontada com dilemas íntimos, a descoberta da sexualidade e as nuances da solidão e do amor.
Cada personagem que cruza seu caminho — do glutão Barata ao misterioso Amaro, passando pelo peixinho Pirulito que observa tudo plácido — funciona como um espelho, impulsionando a jovem a questionar e a construir sua própria identidade. "Clarissa" é uma jornada de autodescoberta e um mergulho profundo na alma humana e no cenário histórico de uma era, revelando como a interação com o outro molda quem somos.
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