
Um retrato visceral e indispensável do Rio de Janeiro, que ecoa as feridas sociais do Brasil. – O Globo
Em "Cidade Partida", Zuenir Ventura oferece um mergulho profundo e incisivo nas complexas realidades do Rio de Janeiro, desvendando as tensões sociais e a violência urbana que marcaram a cidade nos anos 90. A obra é um retrato pungente da dicotomia entre a vida nas comunidades, como Vigário Geral, onde a sobrevivência se entrelaça com o tráfico de drogas, e a mobilização da sociedade civil em busca de paz, personificada pelo movimento Viva Rio.
Ventura, com sua maestria jornalística, não apenas narra os eventos contemporâneos, mas também traça um panorama histórico, revisitando os "anos dourados" dos anos 50 para revelar as raízes dos conflitos que viriam a explodir. Ele demonstra que a "cidade partida" não é um fenômeno recente, mas sim o resultado de décadas de tensões acumuladas, conectando figuras emblemáticas do passado, como bandidos e detetives, à gênese da violência moderna.
A segunda parte do livro, escrita em tempo real após a trágica chacina de Vigário Geral, é um testemunho visceral. O autor imerge na favela por meses, oferecendo uma análise crua e humana das forças que moldam a vida de seus moradores e a dinâmica entre a "cidade visível" e a "outra cidade". "Cidade Partida" é uma obra fundamental para compreender as feridas sociais do Brasil, uma reflexão sobre a desigualdade, a violência e a incessante busca por um futuro mais justo.
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