
Uma prosa visceral e desafiadora que captura a alma do sertão brasileiro. Pericás entrega uma obra de rara intensidade e beleza. - Folha de São Paulo
“Cansaço, a Longa Estação” é uma obra-prima da literatura brasileira que mergulha nas profundezas do sertão adusto e delirante, um reino onde a vida é tão áspera quanto a paisagem. Luiz Bernardo Pericás tece uma narrativa vibrante e fibrosa, centrada em um intenso triângulo amoroso. Uma jovem sertaneja, em busca de amor-próprio e dignidade, vê-se disputada entre um rústico cultivador e um feroz possuidor de armas, em uma liça que ecoa os dramas medievais.
A linguagem do autor é um espetáculo à parte: adusta, delirante, efervescente, misturando a paixão de Dante com a precisão euclidiana. É uma melodia exasperada de palavras que, embora por vezes dissonantes, fluem e se truncam como a própria vida no sertão. Acompanhando o drama central, a figura ambígua do curandeiro, crente e esperto, adiciona camadas de complexidade a este universo de sobrevivência e paixões.
Pericás convida o leitor a uma viagem não apenas geográfica, mas temporal e linguística, explorando os múltiplos registros do português do Brasil. Uma experiência literária inesquecível que desafia e recompensa, revelando a beleza brutal e a resiliência humana em um cenário inóspito.
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