
Uma sátira social brilhante, que expõe as entranhas da burguesia paulista com humor e acidez.
“Café Pequeno” é um romance de construção singular que mergulha nas profundezas da sociedade burguesa paulista dos anos 1930. Através de capítulos que se alternam em contraponto, a obra de Zulmira Ribeiro Tavares tece um quadro crítico e mordaz, expondo a hipocrisia e as futilidades de uma elite que valoriza mais um detalhe de etiqueta ou uma taça de champanhe do que os horrores da perseguição aos judeus ou a opressão do Estado Novo.
Com um humor refinado e uma narrativa sarcástica, o livro retrata a trivialidade de uma festa de aniversário em Higienópolis, enquanto, em paralelo, eventos históricos e sociais de grande peso se desenrolam. A chegada inesperada de um estouro de zebus em plena São Paulo civilizada e a admiração do anfitrião por Maria Antonieta, símbolo da insensibilidade social, servem como metáforas potentes para a cegueira e a desconexão da burguesia.
À medida que um boi agonizante bloqueia a porta da frente da residência, seres grotescos adentram pelos fundos, revelando o lado bárbaro, negro e doente da sociedade que se esconde sob a fachada de civilidade. “Café Pequeno” é um convite a olhar para os bastidores do palco social, onde o verdadeiro interesse e as verdades incômodas se manifestam. Uma obra substanciosa que desmascara as veleidades e vulnerabilidades de uma classe.
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