
por Gil Vicente
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Uma sátira social atemporal, que com humor e perspicácia, desvenda as hipocrisias da sociedade quinhentista. - Crítica Literária
Auto da Índia, uma das primeiras peças de teatro com intriga da Península Ibérica, é uma farsa satírica de Gil Vicente, apresentada em 1509. Ambientada no fervor das Grandes Navegações, a obra mergulha nas consequências sociais da expansão ultramarina portuguesa, mas de uma forma inesperada e hilariante.
Longe de glorificar as descobertas, Vicente utiliza o pano de fundo dos marinheiros ausentes para tecer uma crítica mordaz aos costumes da época. A peça expõe, com um humor afiado, as práticas de adultério das esposas que, deixadas sozinhas por longos períodos, não hesitam em trair seus maridos navegadores.
Com uma ironia perspicaz, o autor desvia o foco da grandiosidade das viagens para a intimidade e a moralidade da sociedade portuguesa quinhentista. Uma obra pioneira ao abordar um tema tabu com tamanha franqueza e comicidade, Auto da Índia permanece um espelho atemporal das complexidades humanas e sociais.
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