
“Uma sátira mordaz e atemporal da sociedade e da moralidade humana.” – Crítica Literária Portuguesa
“Auto da Feira” é uma das mais notáveis peças de Gil Vicente, o pai do teatro português, encenada pela primeira vez em 1527 para o Rei Dom João III. Esta obra-prima do teatro vicentino é um auto alegórico que, sob o pretexto de uma feira celestial, tece uma profunda crítica social e moral da sociedade de sua época.
A peça se inicia com Mercúrio, o mensageiro dos deuses, que desce à Terra para anunciar uma feira onde os bens espirituais são postos à venda. Através de um elenco diversificado de personagens, que incluem figuras divinas e diabólicas, além de tipos humanos representativos de diferentes estratos sociais, Vicente expõe as hipocrisias, a corrupção e as falhas morais que permeavam a sociedade portuguesa do século XVI.
Com diálogos perspicazes e um humor mordaz, o autor satiriza a ganância, a falsa religiosidade e a superficialidade, convidando o público a uma reflexão sobre a verdadeira fé e os valores éticos. “Auto da Feira” é um espelho atemporal da condição humana, que continua a ressoar com sua relevância e agudeza, oferecendo tanto entretenimento quanto um convite à introspecção sobre a natureza humana e a sociedade.
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