
Uma joia da literatura fantástica, onde o tempo e a identidade se dissolvem em um pesadelo hipnotizante.
Em "Aura", Carlos Fuentes nos transporta para a Cidade do México de 1961, onde o jovem historiador Felipe Montero se depara com um anúncio de jornal enigmático. A oferta: um emprego bem remunerado para organizar as memórias de um general falecido, na sombria e misteriosa mansão de Dona Consuelo, uma viúva centenária. Atraído pela promessa de uma vida melhor e pela curiosidade intelectual, Felipe aceita o convite, sem saber que está prestes a mergulhar em um universo onde o tempo e a realidade se dissolvem.
Ao adentrar a casa escura e labiríntica, Felipe é imediatamente cativado pela aura de mistério que envolve Dona Consuelo e sua sobrinha, Aura, uma jovem de beleza etérea e olhos verdes hipnotizantes. A mansão, com seus rituais estranhos e sua atmosfera opressiva, parece aprisionar o presente em um passado distante, e Felipe se vê cada vez mais enredado em uma teia de segredos ancestrais e desejos proibidos.
Aos poucos, a distinção entre o real e o fantástico se desfaz. Felipe é arrastado para uma espiral de eventos sobrenaturais e psicológicos, onde a identidade se torna fluida e o amor se confunde com a obsessão. A narrativa, escrita em segunda pessoa, convida o leitor a experimentar a mesma vertigem do protagonista, questionando a natureza da memória, do desejo e da própria existência. "Aura" é uma obra-prima da literatura fantástica e gótica, um mergulho profundo nos abismos da psique humana e nas fronteiras tênues entre a vida e a morte, o passado e o presente.
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