
Uma jornada épica e visceral que ressoa com a urgência dos nossos tempos. - Revista Quatro Cinco Um
Em "Asma", Adelaide Ivánova tece uma obra poética e alegórica que explora as complexas camadas do trauma intergeracional e da migração forçada. A asma, a doença, serve como uma poderosa metáfora central, simbolizando a asfixia social e o impacto profundo de experiências traumáticas, especialmente aquelas enraizadas na pobreza e na repressão estatal. A narrativa se desdobra como um "épico escalafobético", desafiando as convenções literárias e mergulhando em uma tapeçaria rica de significados.
Acompanhamos a jornada de Vashti Setebestas, uma protagonista multifacetada – ora mulher, ora vaca, ora ideia – que transcende o tempo e o espaço, transmutando-se em diversas entidades e povos. Inspirada na figura mítica da rainha persa insubordinada, Vashti encarna a resistência contra a opressão e a busca incessante por liberdade e identidade. A pandemia de COVID-19, que irrompeu durante o processo de escrita, adicionou novas camadas de confinamento e adoecimento coletivo à trama, intensificando a crítica da autora ao capitalismo e suas estruturas de poder.
Com uma linguagem densa e imagética, Ivánova constrói um universo onde o pessoal e o coletivo se entrelaçam de forma indissociável. A história familiar se expande para abraçar mitos do sertão, figuras da tragédia grega e uma multidão de companheiras de jornada, criando uma meditação profunda sobre pertencimento, resiliência e a capacidade humana de se reinventar diante das adversidades impostas pela história e pela sociedade. Uma leitura essencial para quem busca uma experiência literária instigante e transformadora.
Faça login para compartilhar sua opinião com a comunidade
Seja o primeiro a avaliar este livro