
Uma obra-prima dramática que ilumina a essência da liberdade e da responsabilidade humana. - Le Monde
“As Moscas” é uma poderosa peça teatral de Jean-Paul Sartre que reimagina o mito grego de Orestes e Electra sob a lente do existencialismo. A trama se desenrola na cidade de Argos, que há quinze anos vive sob o peso esmagador da culpa e do remorso pela morte do Rei Agamêmnon, assassinado por sua esposa Clitemnestra e seu amante Egisto. A cidade é atormentada por moscas, que simbolizam as Fúrias, personificações da culpa coletiva e do sofrimento.
Nesse cenário de opressão moral, Orestes retorna a Argos, inicialmente como um estrangeiro indiferente ao passado da cidade. Ele é confrontado pela irmã Electra, que nutre um ódio profundo pelos assassinos de seu pai e anseia por vingança. Através de um encontro transformador com o deus Júpiter, Orestes é desafiado a confrontar a natureza da liberdade e da responsabilidade.
Sartre explora magistralmente temas como a angústia da escolha, a condenação à liberdade e a busca por um sentido em um mundo desprovido de verdades predeterminadas. Orestes, ao assumir o fardo de seus atos e libertar Argos de sua culpa paralisante, encarna o ideal existencialista de que "a existência precede a essência", tornando-se o arquétipo do homem livre que forja seu próprio destino. Uma obra essencial para compreender a filosofia sartriana e o teatro do século XX.
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