
Uma análise corajosa e essencial que desmascara os preconceitos de gênero na compreensão da violência. - Revista Piauí
"As Homicidas" de Alia Trabucco Zerán é uma investigação profunda e provocadora sobre o fenômeno das mulheres que matam na América Latina. A autora desafia a percepção social comum, que prefere imaginar mulheres como vítimas ("assassinadas") a como perpetradoras ("assassinas"), revelando um lapso cultural que apaga a agência feminina na violência. Este ensaio perspicaz mergulha em casos emblemáticos, desvendando as complexas camadas psicológicas, sociais e culturais que levam mulheres a cometer atos extremos.
Trabucco Zerán explora como a mulher que mata é duplamente transgressora: não apenas viola as leis penais, mas também as "leis culturais" da feminilidade, sendo frequentemente demonizada como bruxa, Medeia ou femme fatale. A obra questiona as narrativas dominantes sobre gênero e violência, expondo a hipocrisia de uma sociedade que facilmente aceita a violência masculina como "natural", mas se choca e busca desumanizar a mulher violenta.
Com uma prosa envolvente e rigor analítico, o livro convida o leitor a reexaminar preconceitos e a confrontar a desconfortável verdade de que a violência não tem gênero. É um estudo essencial para compreender as nuances da criminalidade feminina e as estruturas sociais que moldam nossa percepção da justiça e da feminilidade.
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