
Uma análise social e política tão mordaz quanto atemporal, que ecoa a genialidade de seus autores. - Crítica Literária
“As Farpas” foi uma publicação periódica de caráter satírico e crítico, escrita por Eça de Queirós e Ramalho Ortigão, dois dos maiores nomes da literatura portuguesa. Este volume específico abrange os meses de março e abril de 1873, inserindo-se no segundo ano da célebre “Crônica Mensal da Política, das Letras e dos Costumes”. A obra é um retrato mordaz e perspicaz da sociedade, da política e da cultura de Portugal do século XIX.
Com uma ironia afiada e um estilo inconfundível, os autores dissecam os vícios, as hipocrisias e as contradições de sua época. Desde a análise de figuras públicas como Alexandre Herculano, até a crítica a instituições e costumes arraigados, “As Farpas” não poupa ninguém. É um convite à reflexão sobre a "ambição do poder, a escravidão dos partidos, a veneração da rotina" e o "pedantismo das ciências", como bem sintetiza a epígrafe de Proudhon que abre a edição.
Mais do que um simples registro histórico, esta crônica é um documento vivo que revela a efervescência intelectual e o espírito crítico de um período de profundas transformações em Portugal. Eça e Ortigão, com sua prosa brilhante, oferecem uma visão panorâmica e, ao mesmo tempo, detalhada dos debates e das mentalidades que moldaram a nação, tornando a leitura essencial para compreender as raízes de muitas questões contemporâneas.
A obra é um testemunho da capacidade da literatura de intervir no debate público, utilizando o humor e a sátira como ferramentas para questionar o status quo e provocar o pensamento. Uma leitura indispensável para quem busca entender a complexidade da sociedade portuguesa oitocentista e a genialidade de seus cronistas.
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