
Uma análise social perspicaz e mordaz, que ecoa a genialidade de um dos maiores críticos de seu tempo. - Jornal do Comércio
“As Farpas” é uma obra seminal da literatura portuguesa, concebida por Ramalho Ortigão e, inicialmente, em colaboração com Eça de Queirós. Publicada como revista mensal entre 1871 e 1882, esta coleção de artigos mordazes visava "espicaçar a sociedade" portuguesa da época. Nascida após as "Conferências do Casino", a iniciativa propunha uma revolução cultural baseada no realismo e naturalismo, desafiando as convenções e a hipocrisia social.
Com humor ácido e ironia cortante, "As Farpas" dissecam múltiplos setores da sociedade oitocentista portuguesa – da política à religião, dos costumes arraigados às mentalidades vigentes. Ramalho Ortigão, que continuou o projeto sozinho, consolidou esta iniciativa como um marco no jornalismo de ideias e na crítica social, um formato que se tornaria comum na imprensa moderna.
Posteriormente compilados em 11 volumes temáticos, os folhetins de "As Farpas" representam um registro histórico valioso e um testemunho da sagacidade e do espírito crítico de seus criadores. A obra oferece um panorama vívido e implacável de Portugal no final do século XIX, revelando as tensões e contradições de uma nação em transformação. É uma leitura essencial para compreender as raízes da crítica social e do jornalismo literário em Portugal, e para apreciar a mestria de Ramalho Ortigão em transformar a observação aguda em arte.
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