
Uma exploração sensível e poderosa dos laços familiares e dos silêncios que nos definem. – O Estado de S. Paulo
Em "Amanhã não tem ninguém", Flávio Izhaki tece uma narrativa profunda e multifacetada que explora as complexidades das relações familiares através de quatro gerações. A morte do bisavô Natan serve como catalisador para desvendar os segredos e silêncios que permeiam a família, revelando a fragilidade dos laços e a persistência de memórias que moldam o presente.
Conhecemos Patrick, um adolescente que ainda não fez seu bar mitzvah, seu pai Nicolas, que trocou a cardiologia pela oftalmologia, e sua mãe Mônica, que enfrenta a hostilidade da sogra por não ter um sobrenome judeu. O tio Marquinhos guarda mistérios, e até mesmo o bisavô, em seu leito de morte, não conseguiu expressar o apoio desejado à esposa.
Izhaki habilmente alterna entre seis vozes narrativas, construindo um mosaico de existências desbotadas, onde abraços são automáticos e rituais perdem seu significado original. A obra é um convite à reflexão sobre a herança invisível que passamos de geração em geração, a forma como as histórias se repetem e se transformam, e a busca por conexão em meio a um mar de silêncios. Uma leitura comovente e perspicaz sobre o tempo que o relógio não marca e as verdades não ditas.
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