
Uma obra póstuma que, mesmo incompleta, ressoa com a profundidade e a crítica social características de Saramago. - Público
“Alabardas, alabardas, espingardas, espingardas” é a obra póstuma e inacabada de José Saramago, um testamento literário do Nobel português. O romance mergulha na vida de Artur Paz Semedo, um funcionário exemplar da Produções Belona S.A., uma fábrica de armamentos. Paz Semedo nunca questionou a moralidade de seu trabalho, sentindo até orgulho da empresa que fabrica instrumentos de guerra. Sua vida, no entanto, é virada de cabeça para baixo pela sua esposa, Felícia, uma pacifista radical que o confronta com a brutal realidade por trás dos produtos que ele ajuda a comercializar.
A narrativa de Saramago, com sua prosa inconfundível e profunda, explora o conflito ético e existencial de um homem comum diante da indústria da guerra. Através de Paz Semedo e Felícia, o autor tece uma crítica contundente à cumplicidade social com a violência e à banalidade do mal. Mesmo incompleta, a obra ressoa com a força e a lucidez características de Saramago, convidando o leitor a uma reflexão sobre a responsabilidade individual e coletiva em um mundo marcado por conflitos.
Esta edição especial é enriquecida com ensaios de Roberto Saviano, Fernando Gómez Aguilera e Luiz Eduardo Soares, que aprofundam a análise dos temas abordados e o legado do autor, tornando-a uma leitura essencial para admiradores de Saramago e para todos que buscam uma literatura engajada e provocadora.
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