
Uma obra-prima sombria e contemplativa, que eleva o suspense policial a um patamar filosófico.
Em uma madrugada fria e chuvosa de janeiro em Lisboa, a descoberta de um corpo feminino na praia desencadeia uma investigação sombria e introspectiva. Uma jovem é encontrada sem vida, trazida pela maré, e a cena macabra é o ponto de partida para uma trama que mergulha nas profundezas da melancolia e da existência humana.
A detetive encarregada do caso, com sua fachada de invulnerabilidade, logo percebe que este não será um crime isolado. A certeza de um segundo cadáver paira no ar, tecendo uma atmosfera de suspense e presságio. Enquanto a investigação avança, a narrativa se desdobra em reflexões filosóficas sobre a vida, a morte e a condição humana, evocando a perplexidade de Tolstói diante do mundo.
"Águas Passadas" é um romance que transcende o gênero policial, explorando a fragilidade da vida e a inevitabilidade da perda. João Tordo constrói uma história envolvente onde o mistério externo serve de espelho para os conflitos internos dos personagens, em uma busca incessante por sentido em meio ao caos e à solidão. Uma obra que questiona a natureza da realidade e as sombras que habitam a alma.
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