
"Uma imersão profunda nas complexidades da memória e das relações humanas." - O Estado de S. Paulo
Em "Acre", Lucrecia Zappi nos imerge na intimidade de um lar onde o cotidiano se entrelaça com as sombras do passado. A narrativa se desenrola a partir de um momento aparentemente trivial, quando Oscar, absorto em suas divagações sobre o sinteco recém-aplicado, se depara com a esposa, Marcela, sentada na penumbra da cozinha.
O que começa como uma observação sobre a cortina aberta rapidamente se aprofunda em um diálogo carregado de memórias e tensões não ditas. Marcela revela um encontro inesperado com Nelson, uma figura do passado que ambos acreditavam ter desaparecido, ou até morrido. A menção de Nelson, e a lembrança de seu vitiligo, desenterra camadas de uma história compartilhada, evocando imagens de um tempo em que Marcela e Nelson pareciam ter uma conexão íntima.
Zappi constrói um cenário doméstico que serve de palco para a exploração das complexidades das relações humanas, da fragilidade da memória e do impacto duradouro dos encontros passados. A autora convida o leitor a desvendar os mistérios que residem sob a superfície da vida a dois, onde o silêncio pode ser tão eloquente quanto as palavras, e o passado nunca está realmente enterrado. Uma obra que questiona a natureza do amor, da perda e da identidade em meio às reverberações de um "antes" que insiste em se fazer presente.
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