
por Ismail Kadaré
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Uma fábula histórica que ressoa com a força de um mito ancestral, revelando as profundezas da alma humana. - Le Monde
Em 1377, nas turbulentas terras dos Bálcãs, uma lenda sombria paira sobre a construção de uma ponte monumental, destinada a conectar a região ao restante da Europa e aposentar as antigas balsas. Os bardos da estalagem local sussurram a balada dos três irmãos, condenados a um sacrifício terrível: para que a obra seja concluída, uma de suas esposas deve ser emparedada viva em suas fundações.
Ismail Kadaré, com sua prosa poética e incisiva, mergulha nesta fábula ancestral para narrar não apenas a saga da construção da ponte sobre o rio Ouyane, mas também os ecos de um tempo de profundas transformações. A obra se desenrola em meio à ameaça iminente ao cristianismo após a queda de Constantinopla e o avanço do Islã na Europa, tecendo um panorama histórico e cultural de grande tensão.
Através dos olhos do monge Gjon, o fascinante narrador que se propõe a desvendar a verdade por trás dos boatos e lendas, o leitor é convidado a uma jornada que transcende o tempo. Kadaré explora a persistência dos mitos populares e a brutalidade da realidade, questionando a natureza da fé, do sacrifício e da memória coletiva.
"A Ponte dos Três Arcos" é uma meditação profunda sobre a condição humana, a colisão de culturas e a busca por significado em um mundo em constante mudança. Uma obra-prima que entrelaça história, folclore e filosofia, convidando à reflexão sobre os alicerces que sustentam a civilização.
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