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«Este é, sem dúvida, o melhor romance de Lobo Antunes, um escritor bem-amado pelos suecos e pelos norte-americanos e, cada vez mais, ao alcance do Nobel.» - Isabel Risques, O Jornal
Em 'A Ordem Natural das Coisas', António Lobo Antunes nos transporta para um Portugal pós-revolucionário, onde as cicatrizes do passado ainda latejam sob a superfície da vida cotidiana. No coração de um bairro lisboeta, um funcionário público de meia-idade se vê enredado em uma paixão não correspondida por uma jovem de dezoito anos, cuja família excêntrica ele sustenta. Juntos, eles compartilham um lar e um leito, tentando aplacar a solidão e os ecos de memórias e segredos que se entrelaçam em suas existências.
A narrativa se desdobra em um mosaico de vozes e histórias, revelando um universo de personagens inesquecíveis. Conhecemos um ex-agente da PIDE que se reinventa como professor de hipnotismo, um velho mineiro assombrado pelas lembranças de África e de um amor perdido, e Dona Orquídea, que ainda chora um desgosto amoroso de décadas atrás. Cada figura, habitante do casarão da Calçada do Tojal, é um fragmento de um tempo que se esvai, um testemunho da inexorável passagem da vida e da 'ordem natural das coisas'.
Lobo Antunes, com sua prosa densa e poética, constrói um panorama humano profundo, onde a melancolia, a memória e a busca por sentido se entrelaçam. É uma obra que explora as complexidades das relações humanas, a persistência do passado no presente e a fragilidade da esperança em meio à desilusão. Uma leitura essencial para quem busca uma imersão na alma portuguesa e na universalidade dos sentimentos.
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