
Um mergulho implacável na alma humana, revelando o gênio dramático de Nelson Rodrigues. - O Estado de S. Paulo
A Mulher Sem Pecado, a obra seminal de Nelson Rodrigues, marca a estreia do autor no teatro brasileiro, revelando desde cedo os traços que o consagrariam como um mestre do drama psicológico. Escrita em 1941, a peça mergulha nas profundezas da alma humana através da história de Olegário, um homem atormentado por um ciúme patológico. Sua obsessão por Lídia, sua jovem e bela esposa, o leva a uma espiral de desconfiança e paranoia, onde ele chega a subornar seus empregados para que investiguem cada passo dela.
Olegário, um paralítico recente, vive aprisionado não apenas em sua cadeira de rodas, mas também em sua mente doentia, povoada por fantasmas e suspeitas. Ele busca incessantemente provas da infidelidade de Lídia, mas suas tentativas de controle e seus "testes" de lealdade produzem um efeito contrário ao esperado, desvendando camadas complexas de desejo, culpa e repressão.
A peça é um estudo visceral sobre a natureza destrutiva do ciúme e a fragilidade das relações humanas. Nelson Rodrigues constrói um universo onde a realidade e a imaginação se confundem, expondo as neuroses e os segredos mais íntimos de seus personagens. Uma obra atemporal que desafia o público a confrontar os abismos da paixão e da possessão.
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