
Trata-se de um diálogo a serviço da construção da melhor dramaturgia rodrigueana. — Gerd Bornheim
“A Mentira” mergulha nas profundezas de uma família burguesa carioca, expondo as fissuras e hipocrisias por trás de uma fachada de normalidade. O Dr. Maciel, um homem atormentado por suas próprias obsessões, nutre um desejo doentio pela filha mais nova, Lúcia, uma adolescente de apenas catorze anos. Sua esposa, Dona Ana, é uma figura apagada, quase invisível em meio ao drama familiar.
A casa, na Tijuca, é um caldeirão de tensões, onde as outras três filhas, já casadas, vivem sob o mesmo teto, testemunhando e, por vezes, alimentando o ambiente sufocante. A beleza inocente de Lúcia, no auge de sua juventude, torna-se um catalisador para a loucura e o desespero que se instalam.
Quando a notícia chocante de uma gravidez inesperada de Lúcia explode, a estrutura familiar desmorona. Segredos são revelados, paixões proibidas vêm à tona e a verdade se torna uma arma perigosa, capaz de destruir todos os envolvidos. Nelson Rodrigues, mestre em desvendar a alma humana, constrói uma narrativa visceral que explora os tabus, a moralidade e a complexidade das relações humanas.
Publicado originalmente como folhetim em 1953, este romance marca a estreia de Nelson Rodrigues com seu próprio nome na ficção, após anos escrevendo sob pseudônimo. Uma obra atemporal que continua a chocar e a provocar reflexão sobre os abismos da condição humana.
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