
Um divisor de águas na antropologia, que radicaliza a reflexão sobre o conceito de cultura. - Crítica Acadêmica
A Invenção da Cultura, de Roy Wagner, é uma obra seminal que desafia e redefine o conceito de cultura na antropologia. Wagner propõe uma reflexão radical, argumentando que a cultura, assim como a ciência, é mais um processo de invenção do que de descoberta. Ele inverte a perspectiva tradicional, sugerindo que, se Deus não existisse, seria necessário inventá-Lo, e se existe, a invenção se torna ainda mais crucial.
O autor defende que o exercício de tradução é intrínseco à compreensão de uma nova cultura. Isso implica que toda etnografia é um encontro entre duas culturas – a do pesquisador e a do objeto de estudo – resultando em um choque cultural e uma elaboração subjetiva. A obra enfatiza que a visão de uma cultura em relação a outra é sempre uma invenção, moldada pelos termos e perspectivas do observador.
Este livro não apenas revisa os modos de fazer antropologia, mas também provoca uma profunda reflexão sobre a natureza do conhecimento e da própria ciência. É um convite a repensar como construímos e interpretamos as realidades sociais, culturais e científicas, revelando a subjetividade inerente a todo processo de apreensão e representação. Uma leitura essencial para estudantes e profissionais das ciências humanas.
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