
por José J. Veiga
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Uma alegoria poderosa e atemporal sobre a inércia humana e o estranhamento da existência. - Folha de S.Paulo
Em "A Hora dos Ruminantes", José J. Veiga nos transporta para uma pequena e pacata cidade do interior, cuja rotina é abruptamente quebrada por um evento inexplicável: a chegada silenciosa e massiva de uma manada de ruminantes. Bois, ovelhas e cabras invadem as ruas, praças e até as casas, sem qualquer agressividade, apenas observando com seus olhos vazios.
A princípio, os moradores tentam ignorar, depois se irritam, mas logo a presença constante e enigmática desses animais começa a corroer a normalidade. O tempo parece estagnar, as relações se transformam, e a inércia dos ruminantes espelha e amplifica a própria estagnação dos habitantes. O que parecia um mero incômodo se revela uma força transformadora, um espelho perturbador da alma humana e da sociedade.
Veiga constrói uma atmosfera de estranhamento e alegoria, onde o fantástico se entrelaça com o real para questionar a passividade, o conformismo e a própria essência da existência. Uma obra-prima da literatura brasileira que convida à profunda reflexão sobre a condição humana diante do inexplicável.
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