
Uma obra-prima da literatura portuguesa, que captura a alma de uma nação em transformação através de um olhar inesquecível. - Crítica Literária
Em 'A Escola do Paraíso', José Rodrigues Miguéis nos transporta para um Portugal em efervescência, visto pelos olhos inocentes e perspicazes de Gabriel, um menino que se torna o espelho de uma era de profundas transformações. A narrativa se desenrola no crepúsculo da Monarquia e na aurora da República, um período marcado por eventos históricos cataclísmicos, como o regicídio que abalou a nação e a subsequente agitação revolucionária que redesenhou o cenário político e social.
Através do olhar infantil de Gabriel, o leitor é imerso em um universo onde as grandes mudanças políticas se entrelaçam com as pequenas e complexas realidades da vida burguesa. O surgimento do automóvel, símbolo da modernidade que avança, contrasta com os segredos e as hipocrisias dos adultérios que permeiam a sociedade da época, revelando as tensões entre o novo e o velho, o público e o privado.
Miguéis constrói uma obra rica em detalhes e nuances, onde a formação do indivíduo se confunde com a formação de uma nação. É um convite à reflexão sobre a memória, a infância e a maneira como os grandes eventos históricos moldam não apenas o destino de um país, mas também a percepção e o crescimento de cada um de seus habitantes. Uma leitura essencial para compreender as raízes de Portugal moderno e a complexidade da alma humana diante da história.
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