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Uma obra-prima da literatura angolana, que ilumina as sombras do passado colonial com uma narrativa poderosa e inesquecível. – Jornal de Letras
Em "A Conjura", José Eduardo Agualusa transporta o leitor para a efervescente e complexa Luanda de 1881, um cenário vibrante onde as tensões coloniais e as aspirações de liberdade se entrelaçam. A narrativa se inicia com a chegada de Jerónimo Caninguili, um jovem benguelense que busca seu destino na capital, e a enigmática Alice, que liberta os pássaros de seu falecido pai, um ato simbólico que ressoa com os anseios de uma sociedade em ebulição.
Neste caldeirão de culturas e desigualdades, a trama mergulha nas intrigas políticas das eleições municipais, expondo a corrupção e a brutalidade inerentes ao sistema colonial. Agualusa não hesita em retratar a crueldade da época, como o chocante episódio de um rico agricultor que manda assar uma escrava para alimentar seus cães, e a eclosão da primeira revolta dos Humbes, um poderoso grito de resistência contra a opressão.
Com uma prosa rica e envolvente, o autor tece uma tapeçaria de personagens complexos e eventos históricos marcantes. A iminente Conferência de Berlim, que redesenharia o futuro da África, serve como pano de fundo para os dramas pessoais e coletivos. A figura do jornalista Arantes Braga, um socialista e independentista de "verbo incendiado", personifica a luta por justiça e autonomia. "A Conjura" é um romance pungente que explora a memória, a identidade e as profundas cicatrizes deixadas pela história colonial em Angola.
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