
Uma análise contundente e indispensável para compreender as cicatrizes da ditadura no Brasil. - Revista de História
"O que resta da ditadura: a exceção brasileira" mergulha nas profundezas do legado da ditadura militar brasileira (1964-1985), questionando sua persistência insidiosa na estrutura jurídica, nas práticas políticas e na violência cotidiana do Brasil contemporâneo. Fruto de um seminário realizado na Universidade de São Paulo em 2008, a obra reúne artigos que desvendam como o autoritarismo foi assimilado e perpetuado, mesmo sob a égide da democracia. É uma análise crucial sobre a capacidade do passado de violência de não se dissipar.
Com uma análise rigorosa, o livro explora a "reconciliação extorquida" que minimiza o legado autoritário, abordando a perenidade institucional e jurídica dos aparatos econômicos e securitários. Discute a aberração brasileira em relação ao direito internacional sobre crimes contra a humanidade e o trauma social decorrente da anulação do direito à memória, além da herança política e as tentativas de deslegitimar a violência contra um Estado ditatorial ilegal.
Paulo Arantes e colaboradores desafiam a noção de que a ditadura é apenas um evento histórico distante, demonstrando como suas práticas e hábitos reaparecem nas instituições atuais. A obra é um convite urgente à reflexão sobre a herança política, a violência de Estado e o dever de memória, essencial para compreender as raízes do autoritarismo que ainda ecoam na sociedade brasileira e para confrontar as circunstâncias que permitiram sua continuidade.
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