Scully e Mulder descobrem provas do acobertamento de uma E.B.E. (Entidade Biológica Extraterrestre) mantida pelo governo quando ficam sabendo que um OVNI, que havia sido derrubado no Iraque, foi secretamente transportado para os Estados Unidos. Tal fato faz Mulder procurar a ajuda de velhos conhecidos – Os Pistoleiros Solitários.
O Ser Do Espaço – Arquivo X Vol.9 – Chris Carter
Arquivo X O ser do espaço
Capítulo 1
As estrelas enchiam todo o céu sobre o Iraque. Eram tão estonteantes como
diamantes brilhando sobre a escuridão do deserto. Não havia sinal algum de
nuvem nem luar para obscurecer o brilho delas. A fumaça suspensa que tinha sido
provocada pelos incêndios de poços de petróleo já não existia mais. A Guerra do
Golfo, que havia deixado toda aquela região em chamas, terminara muitos anos
antes. Só havia uma coisa para perturbar aquele pacífico cenário - a trilha de
vapor deixada por um avião a jato, cortando o céu acima do deserto.
A aeronave era um jato de combate do tipo Tupolev TV-22 Blinder - um dos
mais modernos aviões de ataque da Rússia, entregue ao Iraque pouco antes da
Guerra do Golfo. Tinha sido um dos poucos que sobrevivera à vergonhosa derrota
diante das forças norte-americanas e de seus aliados.
O piloto devia agradecer a sua estrela da sorte por ter conseguido sobreviver
também. Sadoun Janadi ainda estava em fase de treinamento quando a guerra
acabou. Quando se tornou oficial, os céus estavam seguros de novo. Podia voar
em suas missões de patrulha sem qualquer perigo de ser atacado. E também
podia relaxar, por trás de sua máscara de oxigênio, desfrutando da beleza de uma
noite como aquela.
No fundo, Janadi era um poeta. Ele olhou para as estrelas, algumas
brilhando sozinhas, outras em grupos de centenas, milhares de espessos pontos
brilhantes. Tentou pensar em palavras que pudessem traduzir aquele esplendor,
como os poetas árabes haviam feito durante milhares de anos.
De repente, Janadi deixou de lado sua vontade de ser poeta. Ainda era um
piloto de combate, com um trabalho a fazer.
Sua responsabilidade era proteger o Iraque de invasores aéreos. E estava
vendo um deles naquele momento.
Ainda estava muito longe, e parecia tão pequeno como as estrelas
acumuladas ao seu redor. Mas estava ficando rapidamente maior e mais brilhante.
Apenas alguns segundos depois ele já podia identificar o seu formato, semelhante
ao de um grande charuto. Suas luzes piscavam com intensidade e tinham cores
diferentes, vermelhas, verdes e azuis.
Janadi olhou para a tela de radar no painel de seu avião, para confirmar o
que estava vendo.
A tela nada mostrava.
Janadi tornou a olhar para aquele estranho objeto. A coisa movia-se pelo céu
em uma linha reta como o afiado corte de uma lâmina de barbear. Enquanto
Janadi observava, o objeto parou e ficou pendurado no céu, imóvel. Mas suas
luzes continuavam a piscar.
Janadi franziu as espessas sobrancelhas. Seu radar devia estar com defeito.
E não era surpresa. A força aérea de seu país não tinha estoque suficiente de
peças de reposição, e isso sem falar da falta de mecânicos. Ele tinha de confiar
apenas nos seus olhos.
Concentrou a vista no objeto. Havia aprendido a identificar todo e qualquer
tipo conhecido de aeronave, tanto hostil como amigável ao seu país. Mas aquela
era novidade para ele. Ligou o rádio e entrou em contato com sua base de
operações.
- Aqui é Al-Hadithi - respondeu uma voz em idioma árabe. “Ótimo”, pensou
Janadi. Ele conhecia muito bem Al-Hadithi. Era um excelente operador técnico,
especializado em observações pelo radar, ao contrário de outros, muito mais
jovens, trazidos apressadamente ao serviço para substituir aqueles que haviam
morrido na guerra.
- Base, aqui fala a Patrulha Seis - disse Janadi. - Solicito identificação de um
objeto que se encontra a umas 25 milhas de minha posição, no rumo 340.
Houve uma longa pausa.
Então, no meio da forte estática do rádio, Al-Hadithi respondeu:
- Identificação negativa do objeto. Nenhum sinal de algo nessa área. Tem
certeza de que está com o rumo correto?
Janadi tornou a verificar os instrumentos do painel.
- Certeza absoluta - respondeu ele. - Isto é, se meus instrumentos estiverem
funcionando direito. Por favor, faça uma nova leitura do radar.
Mais uma vez fez-se uma